Após tragédia de Brumadinho, Fundação decreta morte do Rio Paraopeba em Pará de Minas

Análise apontou morte do Rio Paraopeba, que foi afetado pelos rejeitos do rompimento da barragem em Brumadinho — Foto: Gaspar Nobrega/SOS Mata Atlântica

Equipe da ‘SOS Mata Atlântica’ constatou que rejeitos chegaram ao município e comprometeram a vida aquática do local

Uma análise feita por uma equipe da Fundação “SOS Mata Atlântica” nesta segunda-feira (4) confirmou que o Rio Paraopeba está morto em Pará de Minas. No sábado (2), a Fundação constatou a morte do rio a 40 km de distância do ponto de rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão.

De acordo com a especialista em águas e coordenadora do programa Rede das Águas da Fundação, Malu Ribeiro, dejetos decorrentes do rompimento da barragem foram encontrados a cerca de meio metro de profundidade.

Conforme o Corpo de Bombeiros em Pará de Minas, o Rio Paraopeba percorre cerca de 90 km de Brumadinho até o município.

Em nota, a concessionária Águas de Pará de Minas, afirmou que continua monitorando os padrões de qualidade da água na captação do Rio Paraopeba e afirmou que não houve alteração nos parâmetros avaliados pela empresa. A concessionária afirmou, ainda, que não utilizará a água do rio até que haja uma recomendação oficial dos órgãos de controle competentes.

G1 e o MG2 também entraram em contato com a Vale, mas não obtiveram retorno.

Além de Pará de Minas, outros municípios vão receber a visita da Fundação. A intenção é percorrer cerca de 300 km pelo Rio Paraopeba, desde Brumadinho, ao Reservatório de Três Marias.

Análises

As análises apontaram que o rio tem, atualmente, 1,9 de índice de oxigenação. Segundo o Índice de Qualidade das Águas (IQA), o mínimo para existir qualidade de vida em um ambiente aquático é 5 e o índice aceitável é 8.

A turbidez, que é o grau de atenuação que um feixe de luz sofre ao atravessar a água, também está maior do que o normal: 6,5 vezes maior, conforme Malu. A média histórica de turbidez no Rio Paraopeba varia entre 56 e 66, o encontrado nesta segunda-feira foi de 366.

O alto índice de turbidez, segundo a especialista em água, foi o motivo para o abastecimento de água de Pará de Minas, que capta água do Paraopeba, ser interrompido – o aceitável para a captação é que o índice de turbidez seja, no máximo, de 100.

“Apesar da turbidez mais elevada, o Rio tem mais correnteza e isso aumenta a oxigenação. Mas [o nível de oxigênio] ainda é insuficiente para vida aquática e [deixa a água] imprópria para uso”, afirmou ao G1.

Barreiras de Contenção

Duas das três estruturas de contenção de rejeitos anunciadas pela Vale começaram a operar na manhã desta segunda-feira. A previsão inicial dada pela Vale apontava que todas as três barreiras fossem finalizadas neste domingo (3), mas devido ao mau tempo, a montagem foi interrompida.

G1 questionou para a especialista da “SOS Mata Atlântica” se, com a água já poluída, as barreiras de contenção cumprem seu objetivo e aguarda retorno.

Devido ao rompimento da barragem, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) expediu duas recomendações que proíbem a pesca e orientam que o Rio Paraopeba seja monitorado por órgãos ambientais no Estado, além do fornecimento de água para os animais atingidos pela lama.

Fonte: G1 (Matheus Garrôcho e Fernanda Vieira, G1 Centro-Oeste de Minas e MG2)

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