Grandes nomes da Ciência Brasileira na Interface entre Produção Agrícola e Estabilidade Climática

A consolidação do Brasil como potência agroambiental resulta da integração entre pesquisa científica, inovação tecnológica e políticas públicas orientadas pela sustentabilidade produtiva. Ao longo das últimas décadas, a agricultura tropical brasileira incorporou soluções baseadas em evidências, capazes de ampliar a produtividade e, simultaneamente, reduzir impactos ambientais. Nesse contexto, destacam-se a aplicação em larga escala da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) na cultura da soja, com contribuição relevante da Dra. Mariangela Hungria (Embrapa), e os avanços nos estudos sobre a dinâmica climática da Amazônia conduzidos por pesquisadores como Carlos Nobre e Paulo Artaxo.

A ABES-ES, enquanto entidade técnica comprometida com a promoção da engenharia sanitária e ambiental, reconhece que o fortalecimento do diálogo entre ciência, gestão ambiental e políticas públicas é condição essencial para o desenvolvimento sustentável. As evidências consolidadas na literatura científica demonstram que essas contribuições apresentam impactos agronômicos, econômicos e climáticos relevantes, reforçando a importância do conhecimento aplicado como instrumento estratégico para a segurança alimentar, a estabilidade hídrica e o planejamento ambiental no Brasil.

Inovação em Resiliência: Água a partir do Ar

Recentemente, a interface entre a química avançada e a sustentabilidade ganhou um novo marco com a tecnologia desenvolvida por Omar Yaghi, vencedor do Nobel de Química de 2025. A invenção utiliza a química reticular para criar materiais (MOFs) projetados para capturar umidade do ambiente. Segundo a empresa Atoco, fundada por Yaghi, cada unidade pode gerar até 1.000 litros de água limpa por dia, operando mesmo em condições áridas com energia térmica ambiente. Essa tecnologia surge como uma alternativa estratégica para regiões vulneráveis a secas severas, complementando os esforços de conservação dos ciclos hidrológicos naturais.

Saiba mais aqui:
Nobel Prize Winner’s New Machine – 1,000L from Air https://www.youtube.com/watch?v=TsGOnmCj4B8
This water harvester can turn desert air into drinkable water https://www.youtube.com/watch?v=-6T3ICXWqjc
This chemistry turns air into water (and a Nobel Prize) https://www.youtube.com/watch?v=hIw7MlQ3Gcc

🔎 Dica de busca: YouTube → buscar “Omar Yaghi Atoco water from air”


Fixação Biológica de Nitrogênio na Agricultura Brasileira

A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) consiste na conversão de nitrogênio atmosférico (N₂) em formas assimiláveis pelas plantas por meio da simbiose com bactérias do gênero Bradyrhizobium. No Brasil, a adoção em larga escala dessa tecnologia permitiu que a cultura da soja seja conduzida com mínima ou nenhuma aplicação de fertilizantes nitrogenados sintéticos, reduzindo custos e impactos ambientais.

Estudos da Embrapa mostram que a inoculação biológica na soja brasileira é um exemplo de sucesso mundial em bioinsumos, com uso em dezenas de milhões de hectares e efeitos positivos sobre produtividade e sustentabilidade. A prática contribui para:

  • diminuição da dependência de fertilizantes nitrogenados industriais (processo Haber-Bosch);
  • redução indireta das emissões associadas à produção industrial de fertilizantes;
  • menor emissão de óxido nitroso (N₂O), um potente gás de efeito estufa (IPCC, 2021).

Mariangela Hungria é engenheira agrônoma e microbiologista brasileira, nascida em Itapetininga (SP). É pesquisadora da Embrapa desde 1982, atualmente na Embrapa Soja, e professora universitária.

  • Graduação em Engenharia Agronômica – ESALQ/USP;
  • Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas – ESALQ/USP;
  • Doutorado em Ciência do Solo – UFRRJ;
  • Pós-doutorados na Cornell University (EUA), University of California-Davis (EUA) e Universidade de Sevilla (Espanha).

Reconhecimentos:

  • World Food Prize 2025 – considerado o “Nobel da Agricultura”, pela contribuição ao desenvolvimento de bioinsumos sustentáveis; ela é a primeira mulher brasileira a receber essa premiação.
  • Classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo por estudo da Universidade de Stanford.
  • Comendadora e Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico; membro titular da Academia Brasileira de Ciências.

Saiba mais aqui:
World Food Prize 2025 – Cerimônia https://www.youtube.com/watch?v=nxLQ8ARZZB4
Entrevista no World Food Prize Foundation https://www.youtube.com/watch?v=TEl4R4GStdY
Participação “Da Pesquisa ao Prêmio” https://www.youtube.com/watch?v=ON7-seyhslM

🔎 Dica de busca no canal oficial Embrapa: YouTube → canal Embrapa → buscar “Mariangela Hungria”


Amazônia, Ciclo Hidrológico e Ponto de Não Retorno

Modelagens climáticas indicam que a floresta amazônica exerce papel central na manutenção do regime hidrológico da América do Sul por meio da intensa evapotranspiração, alimentando fluxos atmosféricos de umidade conhecidos como “rios voadores”. Pesquisas lideradas por Carlos Nobre mostram que, caso o desmatamento ultrapasse cerca de 20–25% da cobertura original, combinado ao aquecimento global, podem ocorrer transições ecológicas que afetam regimes de chuva, hidreletricidade, agricultura e abastecimento urbano.

Carlos Nobre é meteorologista brasileiro e um dos cientistas mais reconhecidos do país em mudanças climáticas e dinâmica da Amazônia.

  • Graduação em Engenharia Eletrônica – Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA);
  • Doutorado em Meteorologia – Massachusetts Institute of Technology (MIT);
  • Pós-doutorado e extensa experiência em pesquisas sobre sistemas climáticos e biogeofísicos.

Reconhecimentos:

  • Medalha Alexander von Humboldt (Geociências);
  • Ordem Nacional do Mérito Científico;
  • Prêmio Fundação Conrado Wessel para Meio Ambiente;
  • Membro da Academia Brasileira de Ciências e Royal Society (Reino Unido).

Saiba mais aqui:
Seminário sobre emergência climática com Carlos Nobre https://www.youtube.com/watch?v=Vpo97wG3K94

🔎 Dica de busca no YouTube: YouTube → buscar “Carlos Nobre Amazônia 4.0”


Mudanças Climáticas e Intensificação de Eventos Extremos

O relatório AR6 do IPCC (2021) confirma que o aquecimento global médio supera 1,1°C em relação ao período pré-industrial. Pesquisas de Paulo Artaxo examinam como aerossóis e processos atmosféricos relacionados à vegetação e emissões humanas influenciam formação de nuvens, radiação e clima regional e global.

Paulo Artaxo é físico atmosférico brasileiro, professor titular da USP e pesquisador reconhecido internacionalmente por estudos sobre aerossóis e clima.

  • Mestrado e doutorado em Física – Universidade de São Paulo;
  • Pós-doutorado em instituições na Europa e nos EUA, incluindo NASA Goddard Space Flight Center.

Reconhecimentos:

  • Prêmio TWAS em Ciências da Terra (The World Academy of Sciences);
  • Reconhecido repetidamente como um dos principais cientistas no campo de mudanças climáticas pela Clarivate Analytics.

Saiba mais aqui:
Palestra: “O papel da Amazônia nas mudanças climáticas globais” https://www.youtube.com/watch?v=r3ThOvryl8I
USPTalks – Mudanças Climáticas com Paulo Artaxo https://www.youtube.com/watch?v=k-Y5MEgwB74
Aula na disciplina “Amazônia e clima” https://www.youtube.com/watch?v=FbhLjIVrF-E

🔎 Dica de busca: YouTube → buscar “Paulo Artaxo IPCC USP”


Referências :

  • EMBRAPA. Fixação biológica de nitrogênio na cultura da soja. Londrina: Embrapa Soja.
  • HUNGRIA, M.; CAMPO, R. J.; MENDES, I. C. A importância da fixação biológica de nitrogênio para a agricultura sustentável. Soil Biology & Biochemistry, v. 43, 2011.
  • IPCC. Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Cambridge University Press, 2021.
  • NOBRE, C. A. et al. Land-use and climate change risks in the Amazon. PNAS, 2016.
  • ARTAXO, P. et al. Amazonia and global change. Science, v. 351, 2016.
  • THE GUARDIAN. Nobel prize-winning chemist Omar Yaghi on his device that pulls water from thin air. 2025.
  • WORLD FOOD PRIZE FOUNDATION. Laureates and research impact reports.
  • INPE. Relatórios técnicos sobre monitoramento do desmatamento e clima.

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